Funções orgânicas: reconhecer, nomear, transformar

Um mapa de consulta para ENEM, UERJ, UFRJ, FUVEST e ITA. A pergunta que este material responde é sempre a mesma: que função é essa, como ela se chama, de onde ela veio e para onde ela pode ir.

álcool primárioR—CH₂—OH
[O]
aldeídoR—CHO
[O]
ácido carboxílicoR—COOH

Como usar

Cada função aparece sempre na mesma ordem: o que é, como identificar, nome usual, nome IUPAC, exemplos e de onde vem / para onde vai.

Três cores organizam a leitura. O grupo funcional aparece sempre em destaque dentro das estruturas — é nele que o olho deve bater primeiro. As caixas com barra lateral trazem reações no formato reagente → condição → produto. As caixas amarelas marcam pares de funções que caem em prova justamente porque são parecidas.

Vale uma regra de leitura para estruturas: quando aparecer R—, entenda “o resto da molécula, que não importa agora”. O que importa é o pedaço destacado.

A lógica da nomenclatura

Quase todo nome IUPAC é a mesma soma de três pedaços. Quem entende a soma não precisa decorar nome nenhum.

PREFIXO        +      INFIXO        +      SUFIXO
(nº de carbonos)    (tipo de ligação)     (função orgânica)

   pent           +      an           +      ol      →  pentanol
   prop           +      en           +      o       →  propeno
   et             +      an           +      al      →  etanal

Prefixo: quantos carbonos tem a cadeia principal

CPrefixoCPrefixo
1met6hex
2et7hept
3prop8oct
4but9non
5pent10dec

Infixo: que tipo de ligação existe entre os carbonos

  • an — só ligações simples (cadeia saturada): propano
  • en — há uma dupla: propeno
  • in — há uma tripla: propino
  • dien, trien — duas ou três duplas: buta-1,3-dieno

Quando o infixo vem antes de uma consoante, entra uma vogal de ligação: buta-1,3-dieno, propano.

Sufixo: qual é a função principal

FunçãoSufixo (ou prefixo)Exemplo
Hidrocarboneto-obutano
Álcool-olbutan-1-ol
Aldeído-albutanal
Cetona-onabutan-2-ona
Ácido carboxílicoácido …-oicoácido butanoico
Éster-oato de -ilabutanoato de etila
Amina-aminabutan-1-amina
Amida-amidabutanamida
Nitrila-nitrilabutanonitrila
Éterprefixo -oximetoxietano
Haletoprefixo cloro-, bromo-…2-clorobutano
Nitrocompostoprefixo nitro-nitrobenzeno
Tiol-tioletanotiol

Cadeia principal: qual sequência de carbonos conta

A cadeia principal é escolhida nesta ordem de prioridade:

  • tem que conter o grupo funcional (o —OH, o —CHO, o C=O…);
  • entre as que contêm a função, a que tem mais insaturações (duplas e triplas);
  • entre essas, a mais longa;
  • persistindo o empate, a que tiver mais ramificações.

Numeração e posição

Numere a cadeia pela ponta que dá o menor número ao grupo funcional. Só se não houver função é que a dupla/tripla manda; e só se não houver nem função nem insaturação é que as ramificações mandam.

      1    2    3    4
    H₃C — CH — CH₂ — CH₃        butan-2-ol
           |
           OH                    (pela direita o OH seria 3 — errado)

      1    2    3    4    5
    H₃C — CH — CH₂ — CH — CH₃   2,4-dimetilpentano
           |         |
          CH₃       CH₃

Ramificações

Ramificações entram como prefixos, com o número da posição, em ordem alfabética, usando di-, tri-, tetra- para repetições. Os radicais mais cobrados:

  • —CH₃ metil  ·  —C₂H₅ etil  ·  —C₃H₇ propil
  • —CH(CH₃)₂ isopropil  ·  —C₆H₅ fenil

3-etil-2-metil-hexano → hexano (6C) com um etil no C3 e um metil no C2.

O erro clássico

Contar os carbonos da fórmula inteira em vez de contar só a cadeia principal. Ramificação não entra na contagem do prefixo — ela vira nome de radical.

Hidrocarbonetos

Só carbono e hidrogênio. Se aparecer qualquer O, N, S ou halogênio na fórmula, não é hidrocarboneto — é outra função. O que separa os tipos entre si é o formato da cadeia e o tipo de ligação.

C—C

Alcanos

CₙH₂ₙ₊₂

1. O que é

Hidrocarboneto de cadeia aberta com apenas ligações simples entre os carbonos. É a cadeia saturada: cada carbono está segurando o máximo de hidrogênio possível. Não tem grupo funcional propriamente dito — a "função" é a ausência de qualquer coisa além de C e H ligados por traços simples.

2. Como identificar

Procure: nenhum heteroátomo, nenhuma dupla, nenhuma tripla, nenhum anel. Na fórmula molecular, teste CₙH₂ₙ₊₂: se bate exatamente, é alcano.

H₃C — CH₂ — CH₂ — CH₃        C₄H₁₀ → 2(4)+2 = 10 ✓ alcano

3. Nomenclatura usual

Os quatro primeiros têm nome consagrado: metano (gás dos pântanos e componente do gás natural), etano, propano e butano (os dois últimos são o GLP, o gás de cozinha). Do pentano em diante o nome usual já coincide com o IUPAC.

4. Nomenclatura IUPAC

prefixo + an + o. Sem posição para marcar, porque não há insaturação nem função.

H₃C — CH₂ — CH₂ — CH₂ — CH₃       pentano

      1    2    3    4
    H₃C — CH — CH₂ — CH₃            2-metilbutano
           |
          CH₃

5. Exemplos

  • CH₄ — metano — metano — gás natural, biodigestores, gás de aterro sanitário.
  • C₃H₈ — propano — propano — junto com o butano forma o GLP do botijão.
  • C₈H₁₈ — octano — octano — referência da gasolina; o "isoctano" (2,2,4-trimetilpentano) define o índice de octanagem.
  • C₁₈H₃₈ a C₃₀H₆₂ — parafina — cadeias longas de vela e cera.

6. Formação e transformação

O alcano é o ponto de chegada das reduções e o ponto de partida das substituições.

alceno + H₂
Ni ou Pt, hidrogenação
alcano
alcano + Cl₂
luz/UV, substituição
haleto orgânico + HCl
alcano + O₂
combustão completa
CO₂ + H₂O

Como reconhecer: se o produto tem a mesma quantidade de carbonos do reagente e um H foi trocado por Cl, foi substituição. Se dois carbonos vizinhos ganharam H e a dupla sumiu, foi hidrogenação.

C=C

Alcenos

CₙH₂ₙ (uma dupla, cadeia aberta)

1. O que é

Hidrocarboneto de cadeia aberta com uma ligação dupla entre carbonos. A dupla é o ponto fraco da molécula: é ali que quase toda reação acontece. Por isso o alceno é o grande "ponto de entrada" da química orgânica — dele saem álcoois, haletos e polímeros.

2. Como identificar

Procure o traço duplo C=C entre dois carbonos. Na fórmula molecular, CₙH₂ₙ com cadeia aberta.

H₂C = CH — CH₂ — CH₃       C₄H₈ → 2(4) = 8 ✓

Atenção: CₙH₂ₙ também serve para cicloalcano. Só a estrutura decide: tem anel fechado ou tem dupla?

3. Nomenclatura usual

O eteno é quase sempre chamado de etileno e o propeno de propileno — nomes que aparecem no dia a dia dentro de "polietileno" e "polipropileno".

4. Nomenclatura IUPAC

prefixo + en + o, com o número indicando o primeiro carbono da dupla, contando pela ponta mais próxima dela.

      1     2    3    4
    H₂C = CH — CH₂ — CH₃         but-1-eno

      1    2     3    4
    H₃C — CH = CH — CH₃         but-2-eno

Os dois têm a mesma fórmula C₄H₈ e são isômeros de posição — diferença que a banca adora cobrar.

5. Exemplos

  • H₂C=CH₂ — etileno — eteno — hormônio vegetal que amadurece frutas; matéria-prima do polietileno (sacolas).
  • H₂C=CH—CH₃ — propileno — propeno — origem do polipropileno (potes, para-choques).
  • C₄₀H₅₆ — betacaroteno — polieno da cenoura, com 11 duplas conjugadas que dão a cor laranja.

6. Formação e transformação

Alceno se forma por eliminação (a molécula perde algo e ganha uma dupla) e reage por adição (a dupla abre e recebe dois grupos).

álcool
H₂SO₄, 170 °C
desidratação
alceno + H₂O
haleto + base alcoólica
KOH/álcool, Δ
eliminação
alceno + sal + H₂O
alceno + H₂O
H⁺, hidratação
álcool
alceno + HCl
adição
haleto orgânico
alceno + Br₂
adição
dibromo vicinal
alceno + KMnO₄ diluído a frio
oxidação branda
diol vicinal

Regra de Markovnikov

Quando o reagente é assimétrico (H₂O, HCl, HBr) e a dupla também é, o H entra no carbono que já tem mais H; o outro grupo (OH, Cl, Br) vai para o carbono mais substituído. Em prova: "propeno + HCl" dá majoritariamente 2-cloropropano, não 1-cloropropano.

O teste do Br₂: a água de bromo, alaranjada, descora na presença de alceno. Se a questão diz que a solução perdeu a cor, havia insaturação.

Como reconhecer: conte os hidrogênios. Se o produto tem dois átomos a mais distribuídos em carbonos vizinhos e a dupla sumiu, foi adição. Se sumiram dois átomos e apareceu dupla, foi eliminação.

C≡C

Alcinos

CₙH₂ₙ₋₂ (uma tripla, cadeia aberta)

1. O que é

Hidrocarboneto de cadeia aberta com uma ligação tripla entre carbonos. Os dois carbonos da tripla e seus vizinhos ficam em linha reta.

2. Como identificar

Procure o C≡C. Fórmula CₙH₂ₙ₋₂ — a mesma dos dienos, então de novo só a estrutura resolve.

3. Nomenclatura usual

O etino é universalmente chamado de acetileno — o gás do maçarico de solda.

4. Nomenclatura IUPAC

prefixo + in + o, com o número do primeiro carbono da tripla.

HC  CH                        etino

      1     2    3    4
    HC  C — CH₂ — CH₃           but-1-ino

      1    2     3    4
    H₃C — C  C — CH₃           but-2-ino

5. Exemplos

  • HC≡CH — acetileno — etino — maçarico oxiacetilênico; obtido industrialmente do carbeto de cálcio com água.
  • HC≡C—CH₃ — metilacetileno — propino.

6. Formação e transformação

CaC₂ + 2 H₂O
hidrólise
acetileno + Ca(OH)₂
alcino + H₂O
H₂SO₄ / HgSO₄
aldeído ou cetona
alcino + 2 H₂
Ni, hidrogenação total
alcano

A hidratação do alcino é a mais cobrada: a água entra na tripla, forma um enol instável (C=C com OH) que imediatamente se rearranja em carbonila. Acetileno vira etanal; qualquer alcino com a tripla no meio da cadeia vira cetona. Se o gabarito traz uma carbonila a partir de um hidrocarboneto, procure a tripla no reagente.

C=C···C=C

Dienos

CₙH₂ₙ₋₂ (duas duplas)

1. O que é

Hidrocarboneto com duas ligações duplas. O que a prova cobra aqui é classificar a posição relativa das duas duplas.

2. Como identificar

Conte as duplas e olhe o que há entre elas:

acumuladas   H₂C = C = CH₂             duplas no mesmo carbono central
conjugadas   H₂C = CH — CH = CH₂       alternam dupla-simples-dupla
isoladas     H₂C = CH — CH₂ — CH = CH₂ separadas por 2+ ligações simples

As conjugadas são as mais estáveis e as mais cobradas, porque são elas que formam borrachas e pigmentos.

3. Nomenclatura usual

O buta-1,3-dieno é chamado simplesmente de butadieno; o 2-metilbuta-1,3-dieno é o isopreno, unidade que se repete na borracha natural.

4. Nomenclatura IUPAC

prefixo + a + posições + dien + o.

      1     2    3     4
    H₂C = CH — CH = CH₂          buta-1,3-dieno

      1     2    3     4
    H₂C = C — CH = CH₂           2-metilbuta-1,3-dieno
           |                         (isopreno)
          CH₃

5. Exemplos

  • H₂C=CH—CH=CH₂ — butadieno — buta-1,3-dieno — matéria-prima da borracha sintética (SBR) dos pneus.
  • isopreno — 2-metilbuta-1,3-dieno — monômero da borracha natural extraída da seringueira.
  • H₂C=C=CH₂ — aleno — propa-1,2-dieno — exemplo clássico de dieno acumulado.

6. Formação e transformação

n buta-1,3-dieno
polimerização por adição
polibutadieno (borracha)
dieno + 2 H₂
Ni
alcano

Na vulcanização, a borracha reage com enxofre e as cadeias ficam ligadas entre si por pontes de S — o material deixa de ser pegajoso e passa a ser elástico e resistente.

anel C—C

Cicloalcanos

CₙH₂ₙ

1. O que é

Hidrocarboneto de cadeia fechada com apenas ligações simples. O fechamento do anel custa dois hidrogênios em relação ao alcano de mesmo número de carbonos.

2. Como identificar

Procure um polígono fechado sem duplas dentro. Cada vértice do polígono é um carbono; os hidrogênios ficam subentendidos.

   /\              ┌───┐            ⬡ (hexágono sem traços internos)
  /__\             └───┘
ciclopropano    ciclobutano        ciclo-hexano

Cuidado: o hexágono com as três duplas alternadas (ou com um círculo dentro) é benzeno, não ciclo-hexano.

3. Nomenclatura usual

Não há nomes usuais consagrados diferentes — usam-se os próprios nomes com "ciclo".

4. Nomenclatura IUPAC

ciclo + prefixo + an + o. Com uma só ramificação, não precisa numerar.

anel de 6 C                      ciclo-hexano
anel de 5 C com um CH₃           metilciclopentano
anel de 6 C com CH₃ em 1 e 2     1,2-dimetilciclo-hexano

5. Exemplos

  • ciclo-hexano — ciclo-hexano — solvente industrial e matéria-prima do náilon.
  • ciclopropano — ciclopropano — já foi usado como anestésico; anel muito tensionado.

6. Formação e transformação

ciclopropano + H₂
Ni, adição com
abertura do anel
propano

Anéis de 3 e 4 carbonos têm ângulos muito distorcidos (60° e 90° contra os 109,5° ideais) e por isso sofrem adição, abrindo. Anéis de 5 ou 6 carbonos são estáveis e se comportam como alcanos: sofrem substituição. Se a questão abre um anel, ele quase certamente tinha 3 ou 4 carbonos.

anel benzênico

Aromáticos

1. O que é

Hidrocarboneto que contém pelo menos um anel benzênico: seis carbonos em hexágono com elétrons deslocalizados por todo o anel. Essa deslocalização deixa o anel muito estável — e essa estabilidade explica todo o comportamento dele.

2. Como identificar

Procure o hexágono com três duplas alternadas ou com um círculo desenhado dentro. Fórmula do benzeno: C₆H₆.

Com dois substituintes no anel, a posição relativa tem nome próprio:

orto (o-)   substituintes em carbonos vizinhos        posições 1,2
meta (m-)   separados por um carbono                  posições 1,3
para (p-)   em carbonos opostos                       posições 1,4

3. Nomenclatura usual

Aqui o nome usual é o que se usa de fato: benzeno, tolueno (metilbenzeno), xileno (dimetilbenzeno), naftaleno (a naftalina), estireno (vinilbenzeno) e fenol (hidroxibenzeno, já uma função oxigenada).

4. Nomenclatura IUPAC

Trata-se o anel como cadeia principal e os grupos como ramificações; ou, quando o anel é o ramo, ele vira o radical fenil (—C₆H₅).

anel + CH₃                      metilbenzeno   (tolueno)
anel + CH₃ em 1 e 4             1,4-dimetilbenzeno  (p-xileno)
anel + NO₂                      nitrobenzeno
anel ligado a CH₂—CH₃           etilbenzeno

5. Exemplos

  • benzeno — benzeno — solvente e matéria-prima; comprovadamente cancerígeno.
  • tolueno — metilbenzeno — solvente de tintas e ponto de partida do TNT.
  • naftaleno — naftaleno — dois anéis fundidos; a naftalina de guarda-roupa.
  • estireno — vinilbenzeno — monômero do poliestireno (isopor).

6. Formação e transformação

O anel é estável demais para sofrer adição: ele troca um H por outro grupo e mantém a aromaticidade. Por isso a regra é substituição.

benzeno + HNO₃
H₂SO₄, nitração
nitrobenzeno + H₂O
benzeno + Cl₂
FeCl₃, halogenação
clorobenzeno + HCl
benzeno + H₂SO₄
sulfonação
ácido benzenossulfônico + H₂O
benzeno + CH₃Cl
AlCl₃, alquilação
tolueno + HCl

Como reconhecer: se o anel continua intacto no produto e apenas um H virou outro grupo, foi substituição aromática. Repare que todas essas reações liberam uma molécula pequena (HCl, H₂O) — é ela que denuncia qual H saiu.

Haletos orgânicos

A ponte entre os hidrocarbonetos e todo o resto. Quase nenhuma questão pede o haleto como resposta final — ele aparece como intermediário.

R—X

Haletos orgânicos

X = F, Cl, Br, I

1. O que é

Composto em que um ou mais halogênios substituem hidrogênios de uma cadeia carbônica. O grupo funcional é a própria ligação C—X.

2. Como identificar

Procure F, Cl, Br ou I ligados diretamente a carbono. É a função mais fácil de reconhecer na prova, porque o halogênio salta aos olhos na fórmula.

Classificação pelo carbono onde o X está: primário (carbono ligado a 1 outro C), secundário (a 2) ou terciário (a 3).

3. Nomenclatura usual

"haleto de radical": CH₃Cl é cloreto de metila, C₂H₅Br é brometo de etila. Alguns têm nome próprio: clorofórmio (CHCl₃) e tetracloreto de carbono (CCl₄).

4. Nomenclatura IUPAC

O halogênio é tratado como ramificação: número + fluoro/cloro/bromo/iodo + nome do hidrocarboneto.

      1    2    3
    H₃C — CH — CH₃              2-cloropropano
           |
           Cl

    Cl₃C — H                     triclorometano (clorofórmio)

5. Exemplos

  • CHCl₃ — clorofórmio — triclorometano — solvente; antigo anestésico.
  • CCl₂F₂ — CFC-12, freon — diclorodifluorometano — gás de refrigeração banido pelo Protocolo de Montreal por destruir a camada de ozônio.
  • (—CH₂—CHCl—)ₙ — PVC — polímero de canos e forros, feito a partir do cloroeteno (cloreto de vinila).
  • CF₂=CF₂ polimerizado — teflon — politetrafluoroetileno — revestimento antiaderente.

6. Formação e transformação

Três caminhos de entrada, dependendo do hidrocarboneto de partida:

alcano + X₂
luz/UV, substituição
haleto + HX
alceno + HX
adição (Markovnikov)
monohaleto
álcool + HX
substituição do OH
haleto + H₂O

E três saídas, que são o motivo de o haleto existir nas questões:

haleto + NaOH aquoso
substituição
álcool + NaX
haleto + KOH alcoólico
eliminação, Δ
alceno + KX + H₂O
haleto + NH₃
substituição
amina + HX
haleto + KCN
substituição
nitrila + KX

A pegadinha do meio: aquoso ou alcoólico

O mesmo haleto com a mesma base dá produtos diferentes. NaOH em água → álcool (o OH entra no lugar do X). KOH em álcool, com aquecimento → alceno (saem o X e um H do carbono vizinho, e nasce a dupla). Leia sempre o meio antes de responder.

Funções oxigenadas

Aqui está o coração da prova. Sete funções, todas com oxigênio, e todas conectadas entre si por oxidação, redução, desidratação e hidrólise. A pergunta que resolve quase tudo: onde está o oxigênio e a quem ele está ligado?

—OH

Álcoois

R—OH, com o OH em carbono saturado

1. O que é

Composto com o grupo hidroxila (—OH) ligado a um carbono saturado — um carbono que só faz ligações simples. A hidroxila faz ligação de hidrogênio, o que explica por que álcoois têm ponto de ebulição alto e se misturam com água.

2. Como identificar

Procure o —OH e confira o carbono em que ele está: se esse carbono só tem ligações simples e não faz parte de anel benzênico, é álcool.

primário     H₃C — CH₂ — OH          o C do OH está ligado a 1 carbono
secundário   H₃C — CH — CH₃            ligado a 2 carbonos
                    |
                    OH
                    CH₃
terciário    H₃C — C — CH₃             ligado a 3 carbonos
                    |
                    OH

Essa classificação não é decoração: ela decide o produto da oxidação.

3. Nomenclatura usual

"álcool + radical + ílico": álcool metílico, álcool etílico, álcool isopropílico. Os poliálcoois têm nome próprio: glicerina (propano-1,2,3-triol) e etilenoglicol (etano-1,2-diol, o anticongelante do radiador).

4. Nomenclatura IUPAC

prefixo + infixo + ol, com o número do carbono que carrega o OH. Mais de uma hidroxila: -diol, -triol.

    H₃C — CH₂ — OH                   etanol

      1    2    3
    H₃C — CH — CH₃                   propan-2-ol
           |
           OH

      1    2    3
    H₂C — CH — CH₂                   propano-1,2,3-triol
     |     |     |                   (glicerina)
    OH    OH    OH

5. Exemplos

  • CH₃OH — álcool metílico, metanol — metanol — combustível e solvente; tóxico, causa cegueira.
  • C₂H₅OH — álcool etílico — etanol — bebidas, combustível, antisséptico; vem da fermentação da sacarose.
  • C₃H₈O₃ — glicerina — propano-1,2,3-triol — cosméticos e sabões; subproduto do biodiesel.
  • mentol — álcool cíclico do hortelã, responsável pela sensação de frio.

6. Formação e transformação

De onde vem:

alceno + H₂O
H⁺, hidratação
álcool
haleto + NaOH aquoso
substituição
álcool + NaX
aldeído ou cetona + H₂
redução (Ni)
álcool 1º ou 2º
C₆H₁₂O₆ (glicose)
fermentação
(levedura)
2 etanol + 2 CO₂

Para onde vai — a oxidação depende da classe:

álcool primário
[O] brando
K₂Cr₂O₇/H⁺
aldeído → (mais [O]) ácido carboxílico
álcool secundário
[O]
cetona (e para por aí)
álcool terciário
[O]
não oxida (sem quebrar a cadeia)

E as duas desidratações, separadas só pela temperatura:

álcool
H₂SO₄, 170 °C
intramolecular
alceno + H₂O
2 álcool
H₂SO₄, 140 °C
intermolecular
éter + H₂O
álcool + ácido carboxílico
H⁺, esterificação
éster + H₂O

Por que o álcool terciário não oxida

Oxidar, aqui, significa tirar hidrogênios do carbono que segura o OH. No álcool terciário esse carbono não tem hidrogênio nenhum sobrando — está ligado a três carbonos e ao OH. Sem H para remover, não há oxidação. Esse raciocínio é o próprio gabarito de muitas questões: conte os H do carbono da hidroxila.

Como reconhecer a oxidação numa equação: o produto tem menos hidrogênios (ou mais oxigênio) que o reagente. Se você vê R—CH₂—OH virando R—CHO, foram embora 2 H. Se vê R—CHO virando R—COOH, entrou 1 O.

Ar—OH

Fenóis

OH ligado diretamente ao anel benzênico

1. O que é

Composto com a hidroxila presa diretamente a um carbono do anel aromático. Parece álcool, mas não é: o anel puxa elétrons do OH e o hidrogênio fica fracamente ácido. Fenol é um ácido fraco; álcool é praticamente neutro.

2. Como identificar

A pergunta é única e decisiva: o OH toca o anel ou toca um CH₂?

anel—OH                é FENOL          (hidroxibenzeno)
anel—CH₂—OH            é ÁLCOOL         (álcool benzílico, fenilmetanol)

3. Nomenclatura usual

O próprio fenol já era chamado de ácido fênico ou ácido carbólico. Os metilfenóis são os cresóis (o-, m- e p-cresol), presentes em creolina e desinfetantes.

4. Nomenclatura IUPAC

hidroxi + nome do aromático, ou o nome consagrado "fenol" como base da cadeia.

anel com OH                     hidroxibenzeno (fenol)
anel com OH e CH₃ vizinhos      2-metilfenol  (o-cresol)
anel com dois OH em 1 e 4       benzeno-1,4-diol (hidroquinona)

5. Exemplos

  • fenol — hidroxibenzeno — desinfetante histórico (Lister) e matéria-prima de resinas e do ácido acetilsalicílico.
  • cresóis — metilfenóis — creolina, desinfetantes.
  • eugenol — fenol do cravo-da-índia, de ação anestésica.
  • BHT e BHA — fenóis usados como antioxidantes em alimentos e óleos.

6. Formação e transformação

fenol + NaOH
neutralização
(comporta-se como ácido)
fenóxido de sódio + H₂O
álcool + NaOH
não reage

O teste que separa os dois

Se a questão diz que a substância reagiu com NaOH e se dissolveu, é fenol. Se não reagiu, é álcool. Fenol também não sofre oxidação a aldeído nem a cetona, porque o carbono do OH está preso no anel.

R—O—R'

Éteres

1. O que é

Composto com um oxigênio entre dois carbonos. O oxigênio é o único heteroátomo e não carrega hidrogênio nenhum — por isso éter não faz ligação de hidrogênio consigo mesmo e é bem mais volátil que o álcool de massa parecida.

2. Como identificar

Procure um O no meio da cadeia, com carbono dos dois lados e sem dupla com nada.

H₃C — O — CH₃            éter (oxigênio entre dois C)
H₃C — CH₂ — OH           álcool (oxigênio na ponta, com H)

Éter e álcool com a mesma fórmula molecular são isômeros de função — C₂H₆O pode ser etanol ou metoximetano.

3. Nomenclatura usual

"éter + radical menor + ílico + radical maior + ílico": H₃C—O—C₂H₅ é éter metil-etílico. Quando os dois lados são iguais, simplifica-se: C₂H₅—O—C₂H₅ é éter etílico ou éter dietílico — o antigo anestésico.

4. Nomenclatura IUPAC

O lado menor vira prefixo terminado em -oxi; o lado maior é nomeado como hidrocarboneto.

    H₃C — O — CH₂ — CH₃           metoxietano
    (metoxi)   (etano)

    H₃C — CH₂ — O — CH₂ — CH₃     etoxietano
                                     (éter etílico)

5. Exemplos

  • C₂H₅OC₂H₅ — éter etílico — etoxietano — solvente e anestésico histórico; muito inflamável.
  • CH₃OC(CH₃)₃ — MTBE — 2-metoxi-2-metilpropano — aditivo antidetonante de gasolina.
  • anetol — éter aromático do anis e da erva-doce.

6. Formação e transformação

2 álcool
H₂SO₄, 140 °C
desidratação intermolecular
éter + H₂O
haleto + alcóxido (RONa)
síntese de Williamson
éter + NaX

Éteres são quimicamente pouco reativos — é exatamente por isso que servem como solvente. Na prova, o éter quase sempre é produto, não reagente. Se a questão mostra duas moléculas de álcool e uma água saindo, o produto é éter; se mostra uma molécula de álcool e uma água saindo, o produto é alceno.

—CHO

Aldeídos

1. O que é

Composto com a carbonila (C=O) na ponta da cadeia, ou seja, com pelo menos um hidrogênio preso ao carbono da carbonila. Esse H é a razão de o aldeído oxidar com tanta facilidade.

2. Como identificar

Procure o C=O e veja o que mais está nesse carbono: se tem um H, é aldeído.

        O
        
  R — CH            carbonila na extremidade → ALDEÍDO
                         forma condensada: R—CHO

Cuidado com a escrita condensada: CH₃CHO é aldeído, CH₃COOH é ácido e CH₃COCH₃ é cetona. A diferença está nos átomos depois do C.

3. Nomenclatura usual

"aldeído + nome do ácido correspondente": aldeído fórmico (metanal), aldeído acético (etanal), aldeído benzoico. Também se usa o nome curto: formol ou formaldeído, acetaldeído.

4. Nomenclatura IUPAC

prefixo + infixo + al. Não precisa de número: a carbonila sempre é o carbono 1.

    H — CHO                        metanal   (formol)

    H₃C — CHO                      etanal    (acetaldeído)

    H₃C — CH₂ — CH₂ — CHO          butanal

5. Exemplos

  • HCHO — formol, formaldeído — metanal — conservante de peças anatômicas; usado (ilegalmente) em alisantes capilares.
  • CH₃CHO — acetaldeído — etanal — formado no fígado ao metabolizar etanol; é o principal responsável pela ressaca.
  • benzaldeído — benzenocarbaldeído — cheiro de amêndoas amargas.
  • vanilina — aldeído aromático da baunilha, que também tem éter e fenol na mesma molécula.

6. Formação e transformação

O aldeído é uma estação intermediária: quase nunca é o fim da linha.

álcool primário
[O] brando
aldeído + H₂O
aldeído
[O]
ácido carboxílico
aldeído + H₂
redução (Ni)
álcool primário

Tollens e Fehling: o teste que separa aldeído de cetona

Aldeído reduz o reagente de Tollens (formando um espelho de prata no tubo) e o de Fehling (formando precipitado vermelho-tijolo de Cu₂O). Cetona não dá nenhum dos dois. Se a questão menciona espelho de prata ou precipitado vermelho, o composto é aldeído — e por isso mesmo os açúcares redutores, como a glicose, dão positivo.

—CO—

Cetonas

1. O que é

Composto com a carbonila entre dois carbonos. Mesmo grupo C=O do aldeído, mas em posição interna — e sem H no carbono da carbonila, o que a torna bem mais resistente à oxidação.

2. Como identificar

        O
        
  R — C — R'          carbonila entre carbonos → CETONA
                       forma condensada: R—CO—R'

A cetona mais simples possível tem 3 carbonos (a propanona) — não existe cetona com 1 ou 2 carbonos, porque a carbonila precisa de carbono dos dois lados. Aldeído e cetona de mesma fórmula são isômeros de função: C₃H₆O é propanal ou propanona.

3. Nomenclatura usual

"cetona + os dois radicais + ica": H₃C—CO—C₂H₅ é cetona metil-etílica. A propanona é universalmente chamada de acetona.

4. Nomenclatura IUPAC

prefixo + infixo + ona, com o número do carbono da carbonila (necessário a partir de 5 carbonos).

      1    2    3
    H₃C — CO — CH₃                  propanona (acetona)

      1    2    3    4
    H₃C — CO — CH₂ — CH₃            butan-2-ona

      1    2    3    4    5
    H₃C — CH₂ — CO — CH₂ — CH₃      pentan-3-ona

5. Exemplos

  • CH₃COCH₃ — acetona — propanona — removedor de esmalte; aparece no hálito de diabéticos descompensados (corpos cetônicos).
  • CH₃COC₂H₅ — MEK, cetona metil-etílica — butan-2-ona — solvente de colas e tintas.
  • canfora, muscona, progesterona e testosterona — cetonas naturais.

6. Formação e transformação

álcool secundário
[O]
cetona + H₂O
alcino com tripla interna + H₂O
H₂SO₄/HgSO₄
cetona
cetona + H₂
redução (Ni)
álcool secundário

Caminho de mão dupla fácil de lembrar: álcool secundário ⇄ cetona. Tirou 2 H, virou cetona; devolveu 2 H, voltou a álcool. A cetona não segue oxidando — esse é o contraste com o aldeído.

—COOH

Ácidos carboxílicos

1. O que é

Composto com o grupo carboxila: uma carbonila e uma hidroxila no mesmo carbono, sempre na ponta da cadeia. É a função oxigenada mais oxidada e a única realmente ácida do grupo.

2. Como identificar

        O
        
  R — COH        carboxila → ÁCIDO CARBOXÍLICO
                       formas condensadas: R—COOH ou R—CO₂H

O sinal decisivo: o carbono carrega dois oxigênios, e um deles ainda tem hidrogênio. Se os dois oxigênios estão lá mas o H foi trocado por um carbono, é éster.

3. Nomenclatura usual

Os nomes usuais vêm da origem natural e caem muito: fórmico (formiga), acético (vinagre), butírico (manteiga rançosa), cáprico/caproico (cabra), láurico, palmítico (óleo de palma), esteárico (sebo), oleico (azeite), oxálico, cítrico, lático.

4. Nomenclatura IUPAC

ácido + prefixo + infixo + oico. O carbono da carboxila é sempre o número 1.

    H — COOH                       ácido metanoico  (fórmico)

    H₃C — COOH                     ácido etanoico   (acético)

    H₃C — CH₂ — CH₂ — COOH         ácido butanoico  (butírico)

    HOOC — COOH                    ácido etanodioico (oxálico)

5. Exemplos

  • HCOOH — ácido fórmico — ácido metanoico — veneno da formiga e da urtiga; é o único que também tem comportamento de aldeído e por isso reduz Tollens.
  • CH₃COOH — ácido acético — ácido etanoico — vinagre (3 a 8 %).
  • C₁₇H₃₅COOH — ácido esteárico — ácido octadecanoico — ácido graxo saturado de gorduras animais; vira sabão.
  • C₁₇H₃₃COOH — ácido oleico — ácido octadec-9-enoico — ácido graxo insaturado do azeite; a dupla é o que o mantém líquido.
  • ácido acetilsalicílico — a aspirina, que é ácido carboxílico e éster na mesma molécula.

6. Formação e transformação

álcool primário
[O] enérgico
KMnO₄/H⁺
ácido carboxílico
aldeído
[O]
ácido carboxílico
nitrila + 2 H₂O
hidrólise ácida
ácido carboxílico + NH₃
éster + H₂O
hidrólise ácida
ácido carboxílico + álcool

Para onde vai:

ácido + álcool
H₂SO₄, esterificação
éster + H₂O
ácido + NaOH
neutralização
sal de ácido carboxílico + H₂O
ácido + NH₃
Δ, desidratação
amida + H₂O

Na esterificação, o OH sai do ácido e o H sai do álcool — comprovado experimentalmente com oxigênio marcado. Consequência prática: o oxigênio da ponte do éster veio do álcool. Para achar os reagentes de um éster, corte a molécula na ligação C—O entre a carbonila e o outro lado.

—COO—

Ésteres

1. O que é

É o produto da reação entre ácido carboxílico e álcool. Estruturalmente, é um ácido carboxílico cujo H da hidroxila foi trocado por um carbono. Responde por essências de frutas, gorduras, óleos e biodiesel — ou seja, por boa parte das questões contextualizadas.

2. Como identificar

        O
        
  R — CO — R'        éster: carbonila + O + carbono
                       forma condensada: R—COO—R'

compare:  R—CO—O—H   ácido        (o O terminal segura H)
          R—CO—O—R'  éster        (o O terminal segura carbono)

3. Nomenclatura usual

Usa-se o nome do ácido de origem: acetato de etila, butirato de etila (essência de abacaxi), salicilato de metila (o cheiro das pomadas de dor muscular). Os ésteres de ácidos graxos com glicerol são chamados de glicerídeos — as gorduras e óleos.

4. Nomenclatura IUPAC

Duas partes: o lado do ácido termina em -oato, o lado do álcool termina em -ila.

    H₃C — CO — O — CH₂ — CH₃       etanoato de etila
    └─ do ácido ─┘  └─ do álcool ─┘  (acetato de etila)

    H — CO — O — CH₃               metanoato de metila
                                    (formiato de metila)

    H₃C—CH₂—CH₂—CO—O—CH₂CH₃        butanoato de etila
                                    (essência de abacaxi)

Truque de leitura: o pedaço que está colado na carbonila conta os carbonos do "-oato"; o pedaço do outro lado do oxigênio conta os carbonos do "-ila".

5. Exemplos

  • CH₃COOC₂H₅ — acetato de etila — etanoato de etila — solvente de esmalte e cola.
  • C₃H₇COOC₂H₅ — butirato de etila — butanoato de etila — essência artificial de abacaxi.
  • CH₃COOC₅H₁₁ — acetato de isoamila — cheiro de banana.
  • triglicerídeos — ésteres de glicerol com três ácidos graxos: óleo de soja, manteiga, sebo.
  • biodiesel — mistura de ésteres metílicos ou etílicos de ácidos graxos.

6. Formação e transformação

ácido carboxílico + álcool
H₂SO₄, Δ
esterificação (reversível)
éster + H₂O
éster + H₂O
H⁺, hidrólise ácida
(reversível)
ácido carboxílico + álcool
éster + NaOH
saponificação
(hidrólise básica, irreversível)
sal do ácido (sabão) + álcool
triglicerídeo + 3 NaOH
saponificação
3 sabão + glicerol
triglicerídeo + 3 metanol
catálise básica
transesterificação
3 biodiesel + glicerol

Hidrólise ácida × saponificação

As duas quebram o éster no mesmo lugar, mas entregam coisas diferentes. Com água e ácido, sai o ácido carboxílico e a reação é reversível (dá equilíbrio). Com base, sai o sal do ácido — que não volta a reagir com o álcool — e por isso a reação vai até o fim. Em ambas o álcool é liberado intacto.

Como achar os reagentes a partir do éster: localize o —CO—O—, corte entre o C e o O. O lado com a carbonila, mais um OH, é o ácido. O lado solto, mais um H, é o álcool. Exemplo: em CH₃CO—O—C₂H₅, o corte dá CH₃COOH (ácido acético) e C₂H₅OH (etanol).

Funções nitrogenadas

Quatro funções com nitrogênio. A pergunta que separa todas elas: o nitrogênio está sozinho, colado numa carbonila, numa tripla ou em dois oxigênios?

—NH₂ sozinho, ligado a C .............. AMINA
—CO—NH₂ (N colado na carbonila) ....... AMIDA
—C≡N (tripla com N) ................... NITRILA
—NO₂ (N com dois O) ................... NITROCOMPOSTO
—NH₂

Aminas

1. O que é

Composto derivado da amônia (NH₃) pela troca de 1, 2 ou 3 hidrogênios por grupos carbônicos. O par de elétrons livre do nitrogênio é o que torna as aminas básicas — a única função orgânica com caráter básico marcante.

2. Como identificar

Procure N ligado só a carbonos e hidrogênios, sem carbonila ao lado e sem oxigênio. A classe depende de quantos carbonos estão no N (não do tipo de carbono, como nos álcoois — cuidado com essa confusão):

primária     H₃C — NH₂              1 carbono no N
secundária   H₃C — NH — CH₃         2 carbonos no N
terciária    H₃C — N — CH₃          3 carbonos no N
                    |
                   CH₃

3. Nomenclatura usual

Radicais + "amina": metilamina, dimetilamina, trietilamina. A amina aromática mais importante tem nome próprio: anilina.

4. Nomenclatura IUPAC

prefixo + infixo + amina, com posição quando necessário.

    H₃C — NH₂                        metanamina  (metilamina)

      1    2    3
    H₃C — CH — CH₃                   propan-2-amina
           |
           NH₂

    anel benzênico — NH₂             fenilamina  (anilina)

5. Exemplos

  • metilamina — metanamina — cheiro de peixe podre, como todas as aminas leves.
  • anilina — fenilamina — base dos corantes sintéticos (o primeiro deles, a malveína).
  • putrescina e cadaverina — diaminas da decomposição de proteínas.
  • nicotina, cafeína, morfina — alcaloides; a "base" do nome vem justamente do nitrogênio.
  • aminoácidos — têm amina e ácido carboxílico na mesma molécula.

6. Formação e transformação

nitrocomposto + 3 H₂
redução (Fe/HCl ou H₂/Ni)
amina + 2 H₂O
haleto + NH₃
substituição
amina + HX
amida + H₂O
hidrólise
ácido carboxílico + amina
amina + HCl
neutralização
(age como base)
sal de amônio (solúvel)

O caminho clássico da indústria de corantes: benzeno → nitrobenzeno → anilina. Nitração primeiro, redução depois. Se a questão traz nitrobenzeno e H₂, o produto é anilina.

—CO—NH₂

Amidas

1. O que é

Composto em que o nitrogênio está ligado diretamente ao carbono de uma carbonila. É a ligação que une aminoácidos em proteínas (ligação peptídica) e que forma o náilon.

2. Como identificar

        O
        
  R — CN — H          carbonila + nitrogênio → AMIDA
            |
            H            forma condensada: R—CONH₂

Não confunda com amina: na amina o N está preso a um carbono comum; na amida, a um carbono que carrega oxigênio em dupla. Amida praticamente não é básica, justamente porque a carbonila vizinha rouba o par de elétrons do N.

3. Nomenclatura usual

Nome do ácido de origem + "amida": formamida, acetamida, benzamida. A ureia é a diamida do ácido carbônico.

4. Nomenclatura IUPAC

prefixo + infixo + amida. Se houver grupos no nitrogênio, indicam-se com a letra N-.

    H — CONH₂                       metanamida  (formamida)

    H₃C — CONH₂                     etanamida   (acetamida)

    H₃C — CO — NH — CH₃             N-metiletanamida

    H₂N — CO — NH₂                  ureia (diamida do ácido carbônico)

5. Exemplos

  • ureia — excretada na urina; fertilizante nitrogenado e umectante de cremes. Sua síntese por Wöhler, em 1828, derrubou a teoria da força vital.
  • náilon — poliamida obtida de uma diamina com um diácido.
  • paracetamol — amida (é uma acetamida ligada a um fenol).
  • proteínas — cadeias de aminoácidos unidos por ligações peptídicas, que são amidas.

6. Formação e transformação

ácido carboxílico + amônia (ou amina)
Δ, sai H₂O
amida + H₂O
aminoácido + aminoácido
condensação
dipeptídeo (amida) + H₂O
amida + H₂O
hidrólise (H⁺ ou OH⁻)
ácido carboxílico + amina

Note o padrão: éster e amida se formam do mesmo jeito (o ácido perde OH, o parceiro perde H, sai água) e se desfazem do mesmo jeito (a água volta e quebra). Muda só quem é o parceiro: álcool para éster, amina para amida.

—C≡N

Nitrilas

1. O que é

Composto com o grupo ciano: um carbono ligado ao nitrogênio por tripla, sempre na ponta da cadeia. São os derivados orgânicos do ácido cianídrico.

2. Como identificar

Procure C≡N. É inconfundível — é a única função com tripla entre C e N.

H₃C — C ≡ N              etanonitrila (acetonitrila)

3. Nomenclatura usual

"cianeto de + radical": CH₃CN é cianeto de metila; C₂H₅CN é cianeto de etila.

4. Nomenclatura IUPAC

prefixo + infixo + nitrila. Atenção: o carbono da tripla conta na hora de escolher o prefixo.

    H — C ≡ N                      metanonitrila  (HCN)

    H₃C — C ≡ N                    etanonitrila   (2 carbonos!)

    H₃C — CH₂ — C ≡ N              propanonitrila

5. Exemplos

  • acetonitrila — etanonitrila — solvente de laboratório, muito usada em cromatografia.
  • acrilonitrila — prop-2-enonitrila — monômero das fibras acrílicas e do plástico ABS.
  • amigdalina — glicosídeo do caroço de damasco que libera HCN; explica a toxicidade dessas sementes.

6. Formação e transformação

haleto + KCN
substituição
nitrila + KX
nitrila + 2 H₂O
hidrólise total (H⁺)
ácido carboxílico + NH₃
nitrila + 2 H₂
redução
amina primária

A nitrila é o truque clássico para aumentar a cadeia em um carbono: um haleto de n carbonos vira nitrila de n+1, que vira ácido de n+1. Se numa questão o produto tem um carbono a mais que o reagente, procure o KCN.

—NO₂

Nitrocompostos

1. O que é

Composto com o grupo nitro (—NO₂) ligado diretamente a um carbono. Muitos são explosivos, porque a molécula já carrega o oxigênio necessário para a própria combustão.

2. Como identificar

Procure N ligado a dois oxigênios e a um carbono. Se o grupo estiver ligado à cadeia por um oxigênio (C—O—NO₂), não é nitrocomposto — é um éster de nitrato, caso da nitroglicerina.

3. Nomenclatura usual

Coincide com a IUPAC. O trinitrotolueno é universalmente chamado de TNT.

4. Nomenclatura IUPAC

prefixo nitro- + nome do hidrocarboneto, com posição quando preciso.

    H₃C — NO₂                       nitrometano

    anel benzênico — NO₂            nitrobenzeno

    tolueno com 3 NO₂               2,4,6-trinitrotolueno (TNT)

5. Exemplos

  • nitrobenzeno — usado para obter anilina; cheiro de amêndoas, tóxico.
  • TNT — 2,4,6-trinitrotolueno — explosivo de referência.
  • nitrometano — combustível de carros de arrancada.
  • cloranfenicol — antibiótico que contém grupo nitro.

6. Formação e transformação

benzeno + HNO₃
H₂SO₄, nitração
nitrobenzeno + H₂O
nitrocomposto + H₂
redução (Fe/HCl)
amina

Só há dois caminhos para lembrar: entra por nitração de aromático, sai por redução a amina. Se a equação tem HNO₃ + H₂SO₄, o produto é nitro; se tem H₂ ou Fe/HCl sobre um nitro, o produto é amina.

Funções sulfuradas

São as funções oxigenadas com o oxigênio trocado por enxofre — mesma estrutura, mesma lógica de nome, cheiro muito pior.

—SH

Tióis

1. O que é

O análogo do álcool com enxofre: grupo —SH (sulfidrila) ligado a carbono. São responsáveis por alguns dos cheiros mais fortes que existem, detectáveis em concentrações mínimas.

2. Como identificar

H₃C — CH₂ — OH        álcool  (etanol)
H₃C — CH₂ — SH        tiol    (etanotiol)

Mesma estrutura, trocando O por S. Tióis fazem ligações de hidrogênio muito mais fracas que álcoois, então fervem em temperatura mais baixa.

3. Nomenclatura usual

São chamados de mercaptanas ("que captura mercúrio"): metil mercaptana, etil mercaptana.

4. Nomenclatura IUPAC

nome do hidrocarboneto completo + tiol (a vogal do infixo não cai).

    H₃C — SH                        metanotiol

    H₃C — CH₂ — SH                  etanotiol

      1    2    3
    H₃C — CH — CH₃                  propano-2-tiol
           |
           SH

5. Exemplos

  • etanotiol — etanotiol — adicionado ao gás de cozinha e ao gás natural, que são inodoros, para que vazamentos sejam percebidos.
  • metanotiol — presente no hálito e no cheiro de repolho cozido.
  • butanotióis — principal componente do jato de defesa do gambá.
  • cisteína — aminoácido com —SH; duas cisteínas se ligam formando a ponte dissulfeto que dá forma ao cabelo.

6. Formação e transformação

haleto + NaSH
substituição
tiol + NaX
2 R—SH
oxidação branda
R—S—S—R (dissulfeto) + 2 H

A oxidação de dois tióis a um dissulfeto é a química do alisamento e da permanente capilar: o produto quebra as pontes S—S, o cabelo é moldado, e depois as pontes se refazem na nova posição.

R—S—R'

Sulfetos (tioéteres)

1. O que é

O análogo do éter: enxofre entre dois carbonos.

2. Como identificar

H₃C — O — CH₃          éter
H₃C — S — CH₃          sulfeto

3. Nomenclatura usual

"sulfeto de + radicais": sulfeto de dimetila, sulfeto de metil-etila.

4. Nomenclatura IUPAC

O lado menor vira prefixo -tio (ou "alquiltio"), o maior é o hidrocarboneto.

    H₃C — S — CH₃                   metiltiometano
                                     (sulfeto de dimetila)

    H₃C — S — CH₂ — CH₃             metiltioetano
                                     (sulfeto de metil-etila)

5. Exemplos

  • sulfeto de dimetila — produzido por algas; é o principal componente do cheiro característico de maresia.
  • alicina e compostos afins — responsáveis pelo cheiro do alho e da cebola.
  • metionina — aminoácido essencial que contém um sulfeto na cadeia lateral.

6. Formação e transformação

haleto + tiolato (RSNa)
substituição
sulfeto + NaX

Como o éter, o sulfeto é pouco reativo e aparece nas provas mais como item de reconhecimento de função do que como reagente.

Não confunda

Quase todo erro de identificação cai em um destes seis pares. Vale revisar esta lista na véspera da prova.

Álcool × fenol

O OH em carbono saturado é álcool; o OH colado no anel benzênico é fenol. C₆H₅—CH₂—OH é álcool (benzílico); C₆H₅—OH é fenol. Só o fenol reage com NaOH.

Álcool × éter

Mesma fórmula molecular, funções diferentes: se o O está na ponta com um H, álcool; se está no meio entre carbonos, éter. Álcool ferve muito mais alto, porque faz ligação de hidrogênio.

Aldeído × cetona

Carbonila na ponta (com H) é aldeído; carbonila no meio é cetona. Só o aldeído dá espelho de prata (Tollens) e precipitado vermelho (Fehling). Cetona precisa de no mínimo 3 carbonos.

Ácido carboxílico × éster

Os dois têm —CO—O—. Se o oxigênio terminal segura um hidrogênio, é ácido; se segura um carbono, é éster. O ácido é azedo e reage com bicarbonato liberando CO₂; o éster tem cheiro de fruta.

Amina × amida

Olhe o vizinho do nitrogênio. Carbono comum ao lado: amina (básica, cheiro de peixe). Carbonila ao lado: amida (praticamente neutra, é a ligação das proteínas).

Nitrila × nitrocomposto × nitrato

C≡N é nitrila. C—NO₂ é nitrocomposto. C—O—NO₂ é éster de nitrato (nitroglicerina). Contar os oxigênios resolve os três.

Alceno × cicloalcano

Ambos têm fórmula CₙH₂ₙ. Só a estrutura decide: dupla ligação ou anel fechado. São isômeros de função entre si.

Mapa das transformações

Todas as reações cobradas em vestibular cabem neste desenho. As setas horizontais são o caminho da oxidação: quanto mais à direita, mais oxidado está o carbono.

Alcano Alceno Álcoolprimário Aldeído Ácidocarboxílico Haleto Álcoolsecundário Cetona Éster Sabão+ álcool + H₂ / Ni + H₂O, H⁺ H₂SO₄, 170 °C [O] [O] [O] + HX + X₂, luz NaOH aq. + álcool, H⁺ H₂O, H⁺ + NaOH [O] = oxidação — K₂Cr₂O₇/H⁺ ou KMnO₄/H⁺. O caminho inverso, com H₂, é a redução.

As seis relações que mais caem

alceno + H₂O
H⁺, adição
Markovnikov
álcool

A dupla abre; o H vai para o carbono mais hidrogenado e o OH para o outro. Propeno dá majoritariamente propan-2-ol.

álcool primário
[O] → [O]
aldeído → ácido carboxílico

Duas etapas na mesma direção. Com oxidante brando e destilando o produto, para-se no aldeído; com oxidante em excesso, chega-se ao ácido.

álcool secundário
[O]
cetona

Só uma etapa: a cetona não segue oxidando. Álcool terciário não reage.

ácido carboxílico + álcool
H₂SO₄, Δ
esterificação
éster + H₂O
éster + H₂O
H⁺, hidrólise
ácido carboxílico + álcool

São a mesma reação nos dois sentidos, em equilíbrio. Para deslocar para o éster, retira-se a água; para deslocar para o ácido, usa-se excesso de água.

éster + NaOH
saponificação
sal do ácido + álcool

Com base, sai o sal e não o ácido — e como o sal não reage de volta, a reação é completa. Com gordura (éster de glicerol), os produtos são sabão e glicerol.

hidrocarboneto + halogênio
ver o tipo de cadeia
haleto orgânico

Aqui a condição muda o mecanismo: alcano + X₂ sob luz é substituição e libera HX; alceno + X₂ é adição e não libera nada; aromático + X₂ com FeCl₃ é substituição e libera HX mantendo o anel.

Como descobrir reagente e produto sem decorar

Quando a questão não entrega a resposta, compare o antes e o depois átomo por átomo. Quase sempre uma destas cinco assinaturas aparece.

O que mudouNome da reaçãoConsequência para a função
Ganhou O ou perdeu 2 HOxidaçãoAnda para a direita: álcool → aldeído → ácido; álcool 2º → cetona
Ganhou 2 H ou perdeu OReduçãoAnda para a esquerda: ácido → aldeído → álcool; cetona → álcool 2º
Duas moléculas viraram uma e saiu H₂OCondensação (esterificação, amidação, éter)Éster, amida ou éter; corte o produto onde a água saiu
Uma molécula virou duas com entrada de H₂OHidróliseÉster → ácido + álcool; amida → ácido + amina; nitrila → ácido + NH₃
A dupla ou tripla sumiu e dois grupos entraramAdiçãoAlceno → álcool, haleto ou alcano
Sumiram dois átomos vizinhos e apareceu duplaEliminaçãoÁlcool ou haleto → alceno
Um H foi trocado por outro grupo, com o esqueleto intactoSubstituiçãoAlcano ou aromático → haleto, nitro, etc.

Um roteiro de três perguntas

  • Conte os carbonos dos dois lados. Se o número mudou, a molécula foi quebrada, juntada, ou passou por KCN (+1 C). Se não mudou, a mudança é só no grupo funcional.
  • Olhe o que sobrou de fora. A molécula pequena liberada denuncia a reação: H₂O indica condensação ou eliminação; HCl indica substituição; nada indica adição.
  • Localize o grupo funcional no produto e volte uma casa no mapa. Se o produto é éster, os reagentes só podem ser ácido + álcool. Se é cetona, o reagente era álcool secundário (ou alcino). Se é amina, era nitro ou haleto + NH₃.

Exemplo resolvido

A questão dá o produto CH₃—CH₂—COO—CH₃ e pergunta os reagentes. Localize o —CO—O—: é éster. Corte entre o C e o O. À esquerda ficam CH₃CH₂CO—, que com OH vira CH₃CH₂COOH, ácido propanoico. À direita fica —CH₃, que com OH vira metanol. Resposta: ácido propanoico + metanol, com H₂SO₄.

Tabelas finais

Para consulta rápida na revisão.

Todas as funções

FunçãoGrupo funcionalComo reconhecerSufixo/prefixoExemploNome usualNome IUPAC
Alcanosó C—CSem dupla, tripla, anel ou heteroátomo; CₙH₂ₙ₊₂-anoCH₄metanometano
AlcenoC=CUma dupla entre carbonos; CₙH₂ₙ aberto-enoH₂C=CH₂etilenoeteno
AlcinoC≡CUma tripla entre carbonos-inoHC≡CHacetilenoetino
DienoC=C e C=CDuas duplas; classificar em acumuladas, conjugadas ou isoladas-dienoH₂C=CH—CH=CH₂butadienobuta-1,3-dieno
Cicloalcanoanel C—CPolígono fechado sem duplas; CₙH₂ₙciclo- + -anoC₆H₁₂ciclo-hexanociclo-hexano
Aromáticoanel benzênicoHexágono com duplas alternadas ou círculo interno-benzenoC₆H₅CH₃toluenometilbenzeno
Haleto orgânicoR—XF, Cl, Br ou I ligado a carbonoprefixo cloro-, bromo-…CHCl₃clorofórmiotriclorometano
Álcool—OHOH em carbono saturado-olC₂H₅OHálcool etílicoetanol
FenolAr—OHOH ligado direto ao anel benzênico-fenol / hidroxi-C₆H₅OHfenolhidroxibenzeno
ÉterR—O—R'O entre dois carbonos, sem H-oxi-C₂H₅OC₂H₅éter etílicoetoxietano
Aldeído—CHOCarbonila na ponta, com H-alCH₃CHOacetaldeídoetanal
Cetona—CO—Carbonila entre dois carbonos-onaCH₃COCH₃acetonapropanona
Ácido carboxílico—COOHCarbonila + OH no mesmo carbono terminalácido …-oicoCH₃COOHácido acéticoácido etanoico
Éster—COO—RComo o ácido, mas o O terminal segura carbono-oato de -ilaCH₃COOC₂H₅acetato de etilaetanoato de etila
Amina—NH₂ / —NH— / —N<N ligado só a C e H, sem carbonila ao lado-aminaC₆H₅NH₂anilinafenilamina
Amida—CO—NH₂N ligado direto ao carbono da carbonila-amidaCH₃CONH₂acetamidaetanamida
Nitrila—C≡NTripla entre C e N, na ponta-nitrilaCH₃CNcianeto de metilaetanonitrila
Nitrocomposto—NO₂N com dois O, ligado direto ao carbonoprefixo nitro-C₆H₅NO₂nitrobenzenonitrobenzeno
Tiol—SHEnxofre com H, na ponta (álcool com S)-tiolC₂H₅SHetil mercaptanaetanotiol
SulfetoR—S—R'Enxofre entre dois carbonos (éter com S)-tio-CH₃SCH₃sulfeto de dimetilametiltiometano

Principais transformações

ReagenteCondição / reaçãoProduto
alceno + H₂Ni ou Pt — hidrogenação (adição)alcano
alceno + H₂OH⁺ — hidratação (Markovnikov)álcool
alceno + HXadição (Markovnikov)haleto orgânico
alceno + X₂adição — descora a água de bromodihaleto vicinal
alceno + KMnO₄ dil. a friooxidação brandadiol vicinal
alcino + H₂OH₂SO₄ / HgSO₄aldeído (etino) ou cetona
alcano + X₂luz/UV — substituiçãohaleto + HX
benzeno + HNO₃H₂SO₄ — nitraçãonitrobenzeno + H₂O
benzeno + X₂FeX₃ — halogenaçãohaleto aromático + HX
haleto + NaOH aquososubstituiçãoálcool
haleto + KOH alcoólico, Δeliminaçãoalceno
haleto + NH₃substituiçãoamina
haleto + KCNsubstituição (+1 carbono)nitrila
álcool primário[O] brandoaldeído
álcool primário[O] enérgicoácido carboxílico
álcool secundário[O]cetona
álcool terciário[O]não reage
álcoolH₂SO₄, 170 °C — intramolecularalceno + H₂O
2 álcoolH₂SO₄, 140 °C — intermolecularéter + H₂O
aldeído[O] — Tollens/Fehling positivoácido carboxílico
aldeído ou cetona + H₂reduçãoálcool 1º ou 2º
ácido carboxílico + álcoolH₂SO₄ — esterificação (reversível)éster + H₂O
éster + H₂OH⁺ — hidrólise ácidaácido carboxílico + álcool
éster + NaOHsaponificação (irreversível)sal do ácido (sabão) + álcool
triglicerídeo + metanoltransesterificaçãobiodiesel + glicerol
ácido carboxílico + NaOHneutralizaçãosal + H₂O
ácido carboxílico + NH₃Δ — condensaçãoamida + H₂O
amida + H₂Ohidróliseácido carboxílico + amina
nitrila + H₂Ohidrólise ácidaácido carboxílico + NH₃
nitrocomposto + H₂Fe/HCl — reduçãoamina
fenol + NaOHneutralização (álcool não reage)fenóxido + H₂O
2 tioloxidação brandadissulfeto

Resumo de uma página

Função → grupo funcional → como reconhecer → nomenclatura → principais transformações.

Hidrocarbonetos

Alcano → C—C → só simples, CₙH₂ₙ₊₂ → -ano → +X₂/luz dá haleto; combustão
Alceno → C=C → uma dupla → -eno → +H₂O dá álcool; +HX dá haleto; +H₂ dá alcano; polimeriza
Alcino → C≡C → uma tripla → -ino → +H₂O dá aldeído ou cetona
Dieno → duas C=C → acumuladas / conjugadas / isoladas → -dieno → polimeriza em borracha
Cicloalcano → anel saturado → polígono fechado → ciclo-…-ano → anel de 3-4 C sofre adição; 5-6 C, substituição
Aromático → anel benzênico → hexágono com duplas alternadas → -benzeno → substituição: nitração, halogenação, sulfonação

Halogenada

Haleto → R—X → F, Cl, Br, I no carbono → prefixo halo- → NaOH aq. dá álcool; KOH alc. dá alceno; NH₃ dá amina; KCN dá nitrila

Oxigenadas

Álcool → —OH → OH em C saturado → -ol → [O]: 1º dá aldeído e ácido, 2º dá cetona, 3º não reage; 170 °C dá alceno, 140 °C dá éter; + ácido dá éster
Fenol → Ar—OH → OH colado no anel → -fenol → reage com NaOH (álcool não)
Éter → R—O—R' → O entre carbonos → -oxi- → vem de 2 álcoois a 140 °C; pouco reativo
Aldeído → —CHO → carbonila na ponta → -al → [O] dá ácido; +H₂ dá álcool 1º; positivo em Tollens e Fehling
Cetona → —CO— → carbonila no meio → -ona → +H₂ dá álcool 2º; não oxida; negativo em Tollens
Ácido carboxílico → —COOH → carbonila + OH no mesmo C → ácido …-oico → + álcool dá éster; + base dá sal; + NH₃ dá amida
Éster → —COO—R → o O terminal segura carbono → -oato de -ila → +H₂O/H⁺ volta a ácido + álcool; + NaOH dá sabão + álcool

Nitrogenadas

Amina → —NH₂ → N sem carbonila ao lado → -amina → básica; vem da redução do nitro; + HCl dá sal
Amida → —CO—NH₂ → N colado na carbonila → -amida → vem de ácido + amônia; hidrólise devolve ácido + amina; é a ligação peptídica
Nitrila → —C≡N → tripla C≡N → -nitrila → vem de haleto + KCN; hidrólise dá ácido (+1 C)
Nitrocomposto → —NO₂ → N com dois O no carbono → prefixo nitro- → vem da nitração; redução dá amina

Sulfuradas

Tiol → —SH → álcool com S → -tiol → oxida a dissulfeto; odorizante do gás
Sulfeto → R—S—R' → éter com S → -tio- → pouco reativo

O eixo que organiza tudo

alcano ← alceno → álcool → aldeído → ácido → éster → sabão
para a direita, oxidação; para a esquerda, redução; água entrando, hidrólise; água saindo, condensação